Quinta-feira, 1 de Fevereiro de 2007

QUE SEJA FEITA A SUA VONTADE

Quem achar que é melhor:

- que continuem a haver abortos clandestinos com todas as suas consequências,

- que as mulheres que abortaram possam ser  julgadas em tribunal,

- que os ricos possam ir ao estrangeiro abortar e quem não pode o vá fazer num vão de escada,

- que vale mais uma criança nascer e ser depositada numa roda-da-santa casa ou num caixote do lixo,

- que deve votar "não" apenas porque a pergunta está mal feita,

 

ENTÃO QUE VOTE "NÃO"!

 

E depois que durma descansado. Se puder.

Porque quando vir nos telejornais mais um caso dos acima descritos, não pode esquecer de quem é a culpa.

SENTIDO DE VOTO

Várias pessoas me têm dito que não concordam com o aborto "voluntário", e que por isso vão votar "não".

Quando lhes pergunto se essa opinião é melhor do que a dos que pensam ser o aborto uma questão de opção meramente pessoal, respondem-me que cada qual é como cada um, que percebem que há casos, além dos previstos na Lei, que podem levar à opção IVG.

Perunto eu: como pode haver essa opção, se a maioria impuser a sua vontade, de que o aborto "voluntário", tal como está consignado na Lei, continue a ser penalizado como crime?

A resposta que costumo ouvir é mais ou menos esta: que cada um escolha o que achar melhor para a sua vida.

Concordo. O problema é que se o "não" ganhar, os outros ficam sem escolha. Ou, pior, ficam com a escolha de quem nada sabe dos seus problemas.

Apenas por isso eu VOTO "SIM" no referendo.

Miguel às 13:25
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Terça-feira, 30 de Janeiro de 2007

AS RAZÕES DO NÃO E DO SIM

- RAZÕES DO NÃO

1 - É preciso é criar condições para que as mães não abortem.

Claro que é. Mas a verdade é que essas condições ainda não existem. E por isso deve continuar a existir o aborto clandestino, com todas as consequências inerentes?

2 - O feto tem vida. Tem direito à vida.

Claro que o feto tem vida. Sempre o soube e nunca esqueci esse facto. Mas defendo com unhas e dentes que o direito à vida de um feto está directamente subordinado à vontade dos pais. Um filho só deve nascer se os pais o quiserem. Principalmente se foi concebido "por descuido" e os pais não se sentem com condições de o ter. Do nascimento dum filho indesejado nasce, muitas vezes, a má vontade e o mau viver no seio duma família, acabando em divórcio, brigas, letígios, etc. Pergunto eu: vale a pena dar cabo duma família apenas porque a Lei os obriga a ter um filho que não queriam?

3 - O aborto passará a ser usado como contraceptivo.

Esta é muito forte. Um aborto é uma marca que não mais sai da mulher. Haja sensatez suficiente para acreditar que ela só o fará se achar que é o mal menor. E mesmo assim nunca deixará de pensar que matou um filho. Quem é que pode acreditar que uma mulher faz um aborto como quem toma uma pílula ou coloca um preservativo?

4 - O aborto vai custar um dinheirão ao Estado e tirar doutros serviços os médicos e enfermeiros que podiam estar a tratar verdadeiros doentes.

Verdade. Mas o custo dos tratamentos decorrentes do aborto clandestino são muito mais baixos do que o do aborto feito no hospital. E os médicos e enfermeiros perderão menos tempo numa cirurgia controlada do que a remendar os estragos feitos na clandistinidade. E porque não há-de o aborto hospitalar ser pago? Mesmo que a preços mais ou menos simbólicos? Basta que sejam competitivos (palavra feia neste conteúdo) com o das "parteiras/sapateiras".

5 - O aborto é pecado.

Também o preservativo e a pílula. Também a homossexualidade.  Vamos prender todas as pessoas abrangidas por todas estas formas de pecar? Vamos excomungá-las? Cuidado com a resposta.

- A RAZÃO DO SIM

O aborto é uma questão de consciência que a cada um diz respeito.

Ter um filho ou não o ter, mesmo que já concebido, só pode depender da vontade dos pais. E mais ninguém deve escolher por eles o que fazer.

Se é uma questão de consciência, que seja a consciência dos envolvidos.

Quem não quiser abortar, não o faça.

Quem quiser optar por essa hipótese, que tenha a liberdade de escolher.

Sem ter que o fazer às escondidas e sem ter que ir ao estrangeiro.

- OS MÉDICOS E OS ENFERMEIROS

Só devem participar em abortos voluntários os médicos e enfermeiros que a ele não se oponham.

A objecção de conciência deve ser possível e tem que ser uma realidade.

- A MÃE

Serão sempre elas as vítimas principais. Não são os pais nem os fetos.

Apenas e só as mães.

Os homens, por muito bons pais que sejam, não conseguem sentir, saber, o que é ter uma vida dentro deles (com muita pena minha).

E uma mãe chorará sempre quando se lembrar que matou um feto (leia-se filho) por ter sido essa a melhor opção possível naquela altura da sua vida.

Mas a realidade desta vida é que os abortos acontecem. E, por muito difícil que seja essa escolha, eles vão continuar a acontecer. Será melhor num hospital ou num vão de escada?

- O PAI

O seu 1º pesadelo é pensar se podem ou não "fazer" filhos. O 2º é se eles vão viver bem, ser saudáveis e felizes. Claro que estes pesadelos são partilhados pela mãe.

Mas a mãe é sempre A Mãe.

A participação do pai na escolha da solução "aborto" parece sempre a dum "treinador de bancada".

MAS NÃO É.

Ele também participou no acto procriador.

Sem ele não haveria necessidade de tão terrível escolha.

Por isso vai sempre, repito sempre, sentir-se culpado pelo sofrimento que vai acompanhar a mulher para o resto da vida.

- FINALMENTE

Dêm às pessoas a liberdade de escolher, de acordo com a consciência de cada um, o que fazer no caso duma gravidez  não não não não desejada.

Que só seja pai e mãe quem o quiser ser.

E que ninguém seja obrigado a pagar por um descuido ou a ser vítima da margem de erro dos contraceptivos.

Não deixem que as Misericórdias, os Refúgios, os caixotes do lixo e os becos mal iluminados continuem a encher-se de filhos não não não desejados.

Haja uma alternativa a toda esta miséria.

VOTEM SIM NO REFERENDO, SFF.

 

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