Terça-feira, 30 de Janeiro de 2007

AS RAZÕES DO NÃO E DO SIM

- RAZÕES DO NÃO

1 - É preciso é criar condições para que as mães não abortem.

Claro que é. Mas a verdade é que essas condições ainda não existem. E por isso deve continuar a existir o aborto clandestino, com todas as consequências inerentes?

2 - O feto tem vida. Tem direito à vida.

Claro que o feto tem vida. Sempre o soube e nunca esqueci esse facto. Mas defendo com unhas e dentes que o direito à vida de um feto está directamente subordinado à vontade dos pais. Um filho só deve nascer se os pais o quiserem. Principalmente se foi concebido "por descuido" e os pais não se sentem com condições de o ter. Do nascimento dum filho indesejado nasce, muitas vezes, a má vontade e o mau viver no seio duma família, acabando em divórcio, brigas, letígios, etc. Pergunto eu: vale a pena dar cabo duma família apenas porque a Lei os obriga a ter um filho que não queriam?

3 - O aborto passará a ser usado como contraceptivo.

Esta é muito forte. Um aborto é uma marca que não mais sai da mulher. Haja sensatez suficiente para acreditar que ela só o fará se achar que é o mal menor. E mesmo assim nunca deixará de pensar que matou um filho. Quem é que pode acreditar que uma mulher faz um aborto como quem toma uma pílula ou coloca um preservativo?

4 - O aborto vai custar um dinheirão ao Estado e tirar doutros serviços os médicos e enfermeiros que podiam estar a tratar verdadeiros doentes.

Verdade. Mas o custo dos tratamentos decorrentes do aborto clandestino são muito mais baixos do que o do aborto feito no hospital. E os médicos e enfermeiros perderão menos tempo numa cirurgia controlada do que a remendar os estragos feitos na clandistinidade. E porque não há-de o aborto hospitalar ser pago? Mesmo que a preços mais ou menos simbólicos? Basta que sejam competitivos (palavra feia neste conteúdo) com o das "parteiras/sapateiras".

5 - O aborto é pecado.

Também o preservativo e a pílula. Também a homossexualidade.  Vamos prender todas as pessoas abrangidas por todas estas formas de pecar? Vamos excomungá-las? Cuidado com a resposta.

- A RAZÃO DO SIM

O aborto é uma questão de consciência que a cada um diz respeito.

Ter um filho ou não o ter, mesmo que já concebido, só pode depender da vontade dos pais. E mais ninguém deve escolher por eles o que fazer.

Se é uma questão de consciência, que seja a consciência dos envolvidos.

Quem não quiser abortar, não o faça.

Quem quiser optar por essa hipótese, que tenha a liberdade de escolher.

Sem ter que o fazer às escondidas e sem ter que ir ao estrangeiro.

- OS MÉDICOS E OS ENFERMEIROS

Só devem participar em abortos voluntários os médicos e enfermeiros que a ele não se oponham.

A objecção de conciência deve ser possível e tem que ser uma realidade.

- A MÃE

Serão sempre elas as vítimas principais. Não são os pais nem os fetos.

Apenas e só as mães.

Os homens, por muito bons pais que sejam, não conseguem sentir, saber, o que é ter uma vida dentro deles (com muita pena minha).

E uma mãe chorará sempre quando se lembrar que matou um feto (leia-se filho) por ter sido essa a melhor opção possível naquela altura da sua vida.

Mas a realidade desta vida é que os abortos acontecem. E, por muito difícil que seja essa escolha, eles vão continuar a acontecer. Será melhor num hospital ou num vão de escada?

- O PAI

O seu 1º pesadelo é pensar se podem ou não "fazer" filhos. O 2º é se eles vão viver bem, ser saudáveis e felizes. Claro que estes pesadelos são partilhados pela mãe.

Mas a mãe é sempre A Mãe.

A participação do pai na escolha da solução "aborto" parece sempre a dum "treinador de bancada".

MAS NÃO É.

Ele também participou no acto procriador.

Sem ele não haveria necessidade de tão terrível escolha.

Por isso vai sempre, repito sempre, sentir-se culpado pelo sofrimento que vai acompanhar a mulher para o resto da vida.

- FINALMENTE

Dêm às pessoas a liberdade de escolher, de acordo com a consciência de cada um, o que fazer no caso duma gravidez  não não não não desejada.

Que só seja pai e mãe quem o quiser ser.

E que ninguém seja obrigado a pagar por um descuido ou a ser vítima da margem de erro dos contraceptivos.

Não deixem que as Misericórdias, os Refúgios, os caixotes do lixo e os becos mal iluminados continuem a encher-se de filhos não não não desejados.

Haja uma alternativa a toda esta miséria.

VOTEM SIM NO REFERENDO, SFF.

 

Miguel às 18:28
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8 comentários:
De Miguel a 25 de Julho de 2008 às 13:27
1º - Deus não existe. Foi inventado pelo homem e, ao longo da história, serviu como desculpa para coisas tão "divinas" com as cruzadas, as guerras, a inquisição, a escravatura dos povos que não eram "filhos de Deus", etc. etc. etc.
2º - Posto isto, não há causas divinas, nem consequência divinas, para a concepção de um filho que ninguém queria ter. E se deveria nascer sem ser querido, mais vale que não nasça. Digo eu.
3º e último - Nunca disse que achava bem que fizessem abortos. Apenas defendo, com unhas e dentes, a liberdade de escolha. Que cada casal POSSA escolher o que deve fazer, e que viva com essa decisão o resto da vida. Não admito, seja a quem for, que se arrogue de ser mais moralista do que eu para determinar o meu futuro. E muito menos se essa pessoa for daquelas que pensa que Deus é real. O mesmo Deus que mandou um urso matar as crianças que brincavam com a careca de um velhote.


De Porque te amo... a 27 de Janeiro de 2009 às 10:03
Tenho pena de só agora ter visto este blog e post!

Parabéns pelo que escreveu e deixe-me dizer qe concordo a 200% consigo.
Eu já fiz um aborto, "às escondidas", e sei bem o que é passar por isso e ter de tomar a decisão de o fazer. Fica, de facto, uma marca para a vida...
Se quiser passe no meu blog e dê uma espreitadela a essa experiência.

Quanto à igreja... pfffff... nem quero comentar! Não vale o trabalho sequer!!!!


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