Quinta-feira, 1 de Fevereiro de 2007

QUE SEJA FEITA A SUA VONTADE

Quem achar que é melhor:

- que continuem a haver abortos clandestinos com todas as suas consequências,

- que as mulheres que abortaram possam ser  julgadas em tribunal,

- que os ricos possam ir ao estrangeiro abortar e quem não pode o vá fazer num vão de escada,

- que vale mais uma criança nascer e ser depositada numa roda-da-santa casa ou num caixote do lixo,

- que deve votar "não" apenas porque a pergunta está mal feita,

 

ENTÃO QUE VOTE "NÃO"!

 

E depois que durma descansado. Se puder.

Porque quando vir nos telejornais mais um caso dos acima descritos, não pode esquecer de quem é a culpa.

Miguel às 13:37
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3 comentários:
De squirrel a 1 de Fevereiro de 2007 às 23:20
Nesse caso eu dou a minha visão do outro lado destas questões:

-A mulher faz abortos em qualquer altura desde que ainda seja possível. Não vai parar de os fazer depois das 10 semanas.Não vai deixar de procurar lugares claandestinos para aqueles que já tem 10 semnas e 1 dia. E se a lei for aprovada, espero que não, continuará a fazer em locais clandestinos porque o aborto é um acto contra-natura (por isso mesmo se chama aborto) e a mulher escodê-lo-á o mais que pode. Continuarão a chegar às urgências casos de abortos mal feitos. Mesmo aqueles que são feitos em estabelecimentos de saúde não são inóquos de sequelas.
- não são julgados os casos de delitos menores? Não existe um processo judicial quando se rouba?
Tendo o Estado reiterado o direito à vida, é consequente que a supressão desse direito por alguém resulte num processo judicial. Mas não há mulheres presas pela pratica de aborto.
- Se do referendo sair o sim, aí sim os ricos vão ter mais do que muitos motivos para celebrar, porque já não têm de ir a Espanha fazer abortos. Porque estas clínicas de luxo para abortos, a que vergonhosamente o ministro da saude deu aval -para agradar aos amigos que vão fazer um chorudo negócio-colocando-se acima da lei existente, não são para a "maria cachucha" fazer abortos. Essa
não vai ter mais dinheiro para fazer abortos do que um "vão de escada" - outro motivo porque os abortos clandestinos não vão acabar. Nem sequer no Sistema nacional de saude vai ter sorte, porque só quem lá anda é que sabe o que lhe acontece se tem o azar de estar doente...
- O princípio de que quem nasce pobre não têm direito à vida, a mim particularmente arrepia-me.É o princípio da exclusão social, ou seja só quem não é pobre é que tem direito à vida. Ser pobre é uma infelicidade num momento da vida, não é doença crónica. Não faltam exemplos de pessoas que nascidas pobres deram a volta por cima, pelo seu valor; tal como também se vêm exemplos de jovens nascidos em berço de ouro que morreram cedo toxicodependêntes.
A felicidade é feita de outras coisas, não é só o dinheiro que a trás.O dinheiro pode ser um dos meios pra chegar a ela. Mas ser rico não é sinónimo de ser feliz.Tal como ser pobre não é sinónimo de ser infeliz.
- Quanto à pergunta, se está mal feita ou não...o certo é que se percebe bem o resultado prático: legalização do aborto até às dez semanas.

A actual lei é equilibrada, o aborto clandestino não deixará nunca de existir quer seja legalizado ou não, por isso fique "descansado" porque quer o sim ganhe ou o não irá de certeza ouvir sempre falar de casos mal parados de aborto clandestino

O Bom é que o aborto não aconteça. Porque não é só a melhor situação para ambas pessoas directamente envolvidas ( mãe e filho) mas como é o sinal mais evidente de que a sociedade conseguiu encontrar para ambos uma resposta menos dramática em que o mais fraco é sempre aquele para quem não há lugar na sociedade.

Voto NÃO!



De Miguel a 2 de Fevereiro de 2007 às 13:50
Apenas em relação ao seu último parágrafo:
E até existirem todas essas boas condições?
E permita-me uma nota:
Aprecio sempre uma pessoa com convicções. Posso não gostar dessas convicções, mas a pessoa merece todo o meu respeito.
Espero, sinceramente, que consiga pensar o mesmo de mim.
Bem haja.


De squirrel a 5 de Fevereiro de 2007 às 02:44
Para mim...cada pessoa nasce única. E deve ser respeitada pela sua singularidade (acho que ninguém se deve sentir desinstalado por estar na presença de outrém diferente de si mesmo). Daí a beleza de sermos todos diferentes. Está aí o arco-íris...a natureza é sábia( E por vezes parece que nos falta uma cor na vida...) Respeito muito a diferença do outro e no outro na medida em que ela me enriquece e me ajuda a definir-me como pessoa, concordando e discordando das opiniões. De facto, não tenho de concordar com todas as pessoas com quem falo tal como também não tenho de discordar de todas com que me cruzo.
Mas nas pessoas, por norma, respeito as que procuram ser coerentes nas sua ideias e acções. Sendo certo que quando os outros têm ideias "coladas às nossas", corremos o risco da conversa durar apenas o tempo de "bebermos o café". Quanto ao que me interroga. Consigo pensar em alguns problemas sociais que fazem manchete nos jornais de todos os dias, e têm tendencia a agravarem-se (veja por exemplo aquilo que não é um valor social: o trafico de influência no futebol e na política...) temos consciência do problema e do difícil que será resolvê-lo ou acabar com ele (de todo), mas eu não gostaria que face a alguma dificuldade em resolvê-lo a melhor resposta a dar fosse facilitá-lo ainda mais. No entanto, se nada for feito o "tráfico de influência" passa a ser uma forma rápida de resolver problemas. E pergunto-me eu se chegarmos ao extremo de dizermos: "se toda a gente faz mesmo sendo ilegal , porque é que não legalizamos de uma vez!? Seremos menos hipócritas assim!!". Eu não me sentiria bem numa sociedade que se nivela pelo mais baixo a que pode chegar. Que motivo teria eu para pensar que relativamente aos demais problemas e sempre que o Estado se sentisse ineficaz não adoptaria a mesma atitude. Na verdade em Portugal já se vai passando um bocadinho assim...os meninos são preguiçosos na escola...então a solução é quase passagem administrativa. Opta-se por "soluções" que disfarçam o verdadeiro problema, que mais cedo ou mais tarde acaba por estourar! É tudo uma questão de tempo. Entretanto prefiro combater o aborto pela positiva.
-apostar na maternidade ( o valor de se optar por ser mãe deve ser superior ao valor de se optar por fazer um aborto).
Relativamente a tudo, nós tendemos a tomar medidas racionais ou seja aquelas de onde´saimos menos prejudicados ou mais beneficiados. Se queremos verdadeiramente combater o aborto...se o benefício de se ser mãe for superior em qualquer circunstância...aí tem a forma mais eficaz de combater o aborto. Cabe à sociedade exemplificar e manifestar as diversas fomas de como considera aquele valor.


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