Segunda-feira, 5 de Fevereiro de 2007

IVG = CRIME?

Essa devia ser a grande questão em debate.

Vejamos: um ser humano que tenha, por exemplo, 26 ou 62 anos de idade, sofre um acidente. E dá-se a morte cerebral.

Morte cerebral. De acordo com todas as correntes éticas aceites e aplicáveis em casos de transplantes de órgãos, um indivíduo está morto quando o seu cérebro não produz qualquer actividade. O coração bate, os pulmões funcionam, todos os órgãos estão a cumprir a sua obrigação. Mas o cérebro está morto. Logo, a pessoa morreu.

A Ciência ainda não definiu quando começa a vida num feto (leiam a revista Visão de 01.02.2007).

Mas a Ciência já sabe que o cérebro de um feto só começa a funcionar cerca das 24 semanas. É nesta altura que o feto se torna uma pessoa autónoma (dependente, mas autónoma).

Pergunto eu: se um adulto morre quando o seu cérebro deixa funcionar, como se pode classificar de vivo um feto que ainda não tem o cérebro a funcionar?

Se não é crime retirarem-se os órgãos duma pessoa cerebralmente morta, porque há-de ser crime interromper a gravidez antes do cérebro do feto estar formado?

Quinta-feira, 1 de Fevereiro de 2007

QUE SEJA FEITA A SUA VONTADE

Quem achar que é melhor:

- que continuem a haver abortos clandestinos com todas as suas consequências,

- que as mulheres que abortaram possam ser  julgadas em tribunal,

- que os ricos possam ir ao estrangeiro abortar e quem não pode o vá fazer num vão de escada,

- que vale mais uma criança nascer e ser depositada numa roda-da-santa casa ou num caixote do lixo,

- que deve votar "não" apenas porque a pergunta está mal feita,

 

ENTÃO QUE VOTE "NÃO"!

 

E depois que durma descansado. Se puder.

Porque quando vir nos telejornais mais um caso dos acima descritos, não pode esquecer de quem é a culpa.

SENTIDO DE VOTO

Várias pessoas me têm dito que não concordam com o aborto "voluntário", e que por isso vão votar "não".

Quando lhes pergunto se essa opinião é melhor do que a dos que pensam ser o aborto uma questão de opção meramente pessoal, respondem-me que cada qual é como cada um, que percebem que há casos, além dos previstos na Lei, que podem levar à opção IVG.

Perunto eu: como pode haver essa opção, se a maioria impuser a sua vontade, de que o aborto "voluntário", tal como está consignado na Lei, continue a ser penalizado como crime?

A resposta que costumo ouvir é mais ou menos esta: que cada um escolha o que achar melhor para a sua vida.

Concordo. O problema é que se o "não" ganhar, os outros ficam sem escolha. Ou, pior, ficam com a escolha de quem nada sabe dos seus problemas.

Apenas por isso eu VOTO "SIM" no referendo.

Miguel às 13:25
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Terça-feira, 30 de Janeiro de 2007

AS RAZÕES DO NÃO E DO SIM

- RAZÕES DO NÃO

1 - É preciso é criar condições para que as mães não abortem.

Claro que é. Mas a verdade é que essas condições ainda não existem. E por isso deve continuar a existir o aborto clandestino, com todas as consequências inerentes?

2 - O feto tem vida. Tem direito à vida.

Claro que o feto tem vida. Sempre o soube e nunca esqueci esse facto. Mas defendo com unhas e dentes que o direito à vida de um feto está directamente subordinado à vontade dos pais. Um filho só deve nascer se os pais o quiserem. Principalmente se foi concebido "por descuido" e os pais não se sentem com condições de o ter. Do nascimento dum filho indesejado nasce, muitas vezes, a má vontade e o mau viver no seio duma família, acabando em divórcio, brigas, letígios, etc. Pergunto eu: vale a pena dar cabo duma família apenas porque a Lei os obriga a ter um filho que não queriam?

3 - O aborto passará a ser usado como contraceptivo.

Esta é muito forte. Um aborto é uma marca que não mais sai da mulher. Haja sensatez suficiente para acreditar que ela só o fará se achar que é o mal menor. E mesmo assim nunca deixará de pensar que matou um filho. Quem é que pode acreditar que uma mulher faz um aborto como quem toma uma pílula ou coloca um preservativo?

4 - O aborto vai custar um dinheirão ao Estado e tirar doutros serviços os médicos e enfermeiros que podiam estar a tratar verdadeiros doentes.

Verdade. Mas o custo dos tratamentos decorrentes do aborto clandestino são muito mais baixos do que o do aborto feito no hospital. E os médicos e enfermeiros perderão menos tempo numa cirurgia controlada do que a remendar os estragos feitos na clandistinidade. E porque não há-de o aborto hospitalar ser pago? Mesmo que a preços mais ou menos simbólicos? Basta que sejam competitivos (palavra feia neste conteúdo) com o das "parteiras/sapateiras".

5 - O aborto é pecado.

Também o preservativo e a pílula. Também a homossexualidade.  Vamos prender todas as pessoas abrangidas por todas estas formas de pecar? Vamos excomungá-las? Cuidado com a resposta.

- A RAZÃO DO SIM

O aborto é uma questão de consciência que a cada um diz respeito.

Ter um filho ou não o ter, mesmo que já concebido, só pode depender da vontade dos pais. E mais ninguém deve escolher por eles o que fazer.

Se é uma questão de consciência, que seja a consciência dos envolvidos.

Quem não quiser abortar, não o faça.

Quem quiser optar por essa hipótese, que tenha a liberdade de escolher.

Sem ter que o fazer às escondidas e sem ter que ir ao estrangeiro.

- OS MÉDICOS E OS ENFERMEIROS

Só devem participar em abortos voluntários os médicos e enfermeiros que a ele não se oponham.

A objecção de conciência deve ser possível e tem que ser uma realidade.

- A MÃE

Serão sempre elas as vítimas principais. Não são os pais nem os fetos.

Apenas e só as mães.

Os homens, por muito bons pais que sejam, não conseguem sentir, saber, o que é ter uma vida dentro deles (com muita pena minha).

E uma mãe chorará sempre quando se lembrar que matou um feto (leia-se filho) por ter sido essa a melhor opção possível naquela altura da sua vida.

Mas a realidade desta vida é que os abortos acontecem. E, por muito difícil que seja essa escolha, eles vão continuar a acontecer. Será melhor num hospital ou num vão de escada?

- O PAI

O seu 1º pesadelo é pensar se podem ou não "fazer" filhos. O 2º é se eles vão viver bem, ser saudáveis e felizes. Claro que estes pesadelos são partilhados pela mãe.

Mas a mãe é sempre A Mãe.

A participação do pai na escolha da solução "aborto" parece sempre a dum "treinador de bancada".

MAS NÃO É.

Ele também participou no acto procriador.

Sem ele não haveria necessidade de tão terrível escolha.

Por isso vai sempre, repito sempre, sentir-se culpado pelo sofrimento que vai acompanhar a mulher para o resto da vida.

- FINALMENTE

Dêm às pessoas a liberdade de escolher, de acordo com a consciência de cada um, o que fazer no caso duma gravidez  não não não não desejada.

Que só seja pai e mãe quem o quiser ser.

E que ninguém seja obrigado a pagar por um descuido ou a ser vítima da margem de erro dos contraceptivos.

Não deixem que as Misericórdias, os Refúgios, os caixotes do lixo e os becos mal iluminados continuem a encher-se de filhos não não não desejados.

Haja uma alternativa a toda esta miséria.

VOTEM SIM NO REFERENDO, SFF.

 

Segunda-feira, 29 de Janeiro de 2007

pelo SIM e pelo NÃO

Eis um título supreendente.

Sou pelo sim no referendo. E sou pelo não ao aborto/IVG.

Eu explico.

Hoje não há qualquer hipótese duma família portuguêsa a viver em Portugal poder optar por não ter um filho "imprevisto" sem sair do país.

E um filho não pode, nem deve, ser fruto dum imprevisto. Salvo se nada obstar a que ele nasça.

No entanto, eu nunca recorreria ao aborto. Porque a minha situação económica me permite ter mais um filho. Porque eu não me importo de ter mais filhos. Porque eu gostava de ter mais filhos. Embora nesta fase da minha vida não queira ter mais filhos.

E é aqui que entra o apelo ao "sim" no referendo.

Porque não hei-de poder escolher? Ter a liberdade de dizer: agora não me convém ter um filho, e por isso esta gravidez não vai até ao fim.

As pessoas que apelam ao "não" talvez não se apercebam, mas estão a impor a sua vontade aos que apenas querem ter a liberdade de escolher o que mais convém à sua família.

E não vale a pena invocar que é "pelo direito à vida", "um sacrilégio", "um pecado", "caso para excomunhão", etc.

O direito à vida, (sempre) com qualidade, deve prevalecer para os que já nasceram.

Sacrilégio é ter um filho que não se deseja.

Pecado é deixar nascer um filho sem haver condições sócio-económicas para o ter.

Caso para excomunhão é o que os Inquisidores fizeram às suas vítimas. E ainda não ouvi que o Torquemada e seu seguidores houvessem sido excomungados. Eles torturaram, violaram, prenderam e mataram das mais diversas formas (qual delas a mais horrível), toda e qualquer pessoa viva, crescida e com direito a opinião, apenas porque a sua opinião era diferente da deles, ou apenas porque provocaram a sua inveja. E NINGUÉM OS EXCOMUNGOU. Já ouvi, isso sim, foi um Padre dizer que "a Inquisição foi um mal necessário".

Por isso os Padres, os Cónegos, os Bispos, os Cardeais e os Papas não são pessoas dignas de se levarem em conta nesta discussão.

Primeiro, porque optaram por uma vida "contra-natura". Isso mesmo. Acusam os homossexuais de serem "contra-natura", mas sabe-se que o sexo entre dois seres do mesmo género existe na natureza em diversas espécies. O que não se conhece na natureza é qualquer espécie que abdique do sexo. Apenas os Membros da Igreja Católica.

Segundo, porque não lhes reconheço qualquer mérito no que à família diga respeito. Eles não constituem família. Tudo o que sabem é por ouvir dizer ou por conhecimento indirecto. Não sentem na carne o que é não ter comer para dar aos filhos, o que é precisar de trabalhar e não o poder fazer, o que é não ter tempo para dar aos filhos.

Terceiro, porque enquanto não excomungarem os Inquisidores e seu seguidores, não podem invocar a pena de excomunhão para quem apenas não quer ter um filho que ainda não nasceu.

Quarto, porque parece que apenas querem mais miséria neste Mundo para que as suas Instituições continuem a ter razão de ser. E Poder.

Conclusão: 

É certo que um filho deve ser sempre fruto da vontade e do querer da família, e se por qualquer razão uma "família grávida" entende que aquele feto não deve evoluir, então que possa interromper a gravidez até às 10 semanas.

Com toda a certeza não virá mal ao Mundo por isso.

Hoje, digo que não recorreria ao aborto. Mas quero ter a possibilidade de optar, em consciência. A Minha Consciência.

Por isso VOTO SIM pela despenalização, pela descriminalização e pela liberdade de escolha.

 

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